
O calcanhar de pontos deslizados — uma aba de calcanhar reforçada para meias tricotadas à mão que duram
Toda meia tricotada à mão tem um ponto fraco: o calcanhar. A concha do calcanhar sofre mais atrito do que quase qualquer outra parte da meia — esfrega no interior do sapato a cada passo, suporta o peso do corpo quando o calcanhar toca o chão e se estica sobre a curva mais acentuada do pé. Um calcanhar liso em ponto jersey é o primeiro lugar onde muitas meias tricotadas à mão se desgastam. Uma solução comum é o calcanhar de pontos deslizados, também chamado ponto de calcanhar ou aba de calcanhar reforçada: uma técnica em que, nas carreiras do direito, um ponto a cada dois é passado sem tricotar em vez de ser tricotado, o que produz um tecido mais grosso e mais denso.
O mecanismo é simples: nas carreiras do direito, você alterna passar um ponto sem tricotar, com o fio atrás, e tricotar o seguinte. Um ponto deslizado não é trabalhado naquela carreira, então fica esticado ao longo de duas carreiras, e o fio de trabalho passa atrás dele como um trecho curto, chamado fio flutuante, no avesso. Os pontos deslizados franzem o tecido e os fios flutuantes estendem uma segunda camada de fio no avesso. O resultado é uma aba de calcanhar mais grossa, mais acolchoada e mais resistente ao desgaste do que o ponto jersey liso. O ponto de calcanhar aparece em receitas impressas de meias, mas, como boa parte do saber sobre meias, também passou de tricoteira em tricoteira, mostrando e fazendo.
No direito, o ponto de calcanhar aparece como colunas verticais de pontos deslizados alongados, parecido com uma sanfona fina. Uma variante escalonada, o olho de perdiz, desloca o ponto deslizado uma posição a cada carreira do direito alternada e dá uma textura granulada. Os dois também são usados de forma decorativa, mas no calcanhar de uma meia a função deles é resistir ao desgaste.
Instruções
Prepare os pontos da aba do calcanhar
Prepare os pontos da aba do calcanhar
Esta técnica é feita numa meia tricotada em circular até o comprimento de cano desejado. A aba do calcanhar é tricotada em ida e volta sobre metade do total de pontos: se a sua meia tem 64 pontos em circular, a aba usa 32. Deixe os outros 32 pontos (os pontos do peito do pé) em espera em duas agulhas de pontas duplas ou num alfinete para pontos. Os pontos da aba ficam numa só agulha. Agora você vai tricotar carreiras retas (em ida e volta) apenas sobre esses 32 pontos.
Materiais para este passo:
Meada de lã1 peça
Agulhas de tricô1 conjuntoTricote o padrão de pontos deslizados — carreira do direito
Tricote o padrão de pontos deslizados — carreira do direito
Carreira 1 (direito): passe 1 ponto como para tricô (avesso) sem tricotar, com o fio atrás, tricote 1 em meia. Repita ao longo de toda a carreira — deslize 1, tricote 1, deslize 1, tricote 1 — até trabalhar os 32 pontos. Os pontos deslizados NÃO são tricotados: você os passa para a agulha direita sem enrolar o fio, então cada um fica esticado ao longo de duas carreiras. O fio passa atrás de cada ponto deslizado como um fio flutuante curto, e esses fios formam a segunda camada no avesso do tecido. Mantenha os fios flutuantes firmes, mas não apertados, para a aba ficar densa sem franzir.
Tricote a carreira do avesso
Tricote a carreira do avesso
Carreira 2 (avesso): passe 1 ponto como para tricô (avesso) sem tricotar, com o fio na frente, e tricote em tricô (avesso) todos os pontos restantes até o fim da carreira. Só o primeiro ponto é deslizado; os outros são tricotados em tricô normalmente. O primeiro ponto deslizado de cada carreira forma uma ourela de correntinha bem feita, que depois você vai usar para levantar os pontos da cunha (gusset). Essa ourela não é decorativa, é estrutural: o número de laçadas de correntinha ao longo da borda determina quantos pontos da cunha você levanta.
Repita por 30-32 carreiras
Repita por 30-32 carreiras
Alterne a carreira 1 (deslize 1, tricote 1 ao longo da carreira) e a carreira 2 (deslize 1, tricô ao longo da carreira) por 30-32 carreiras — ou até a aba do calcanhar ficar mais ou menos quadrada. Conte as laçadas de correntinha da ourela ao longo de uma borda: numa aba de 32 carreiras, você deve ter 16 laçadas (uma a cada 2 carreiras). Esse número importa: você vai levantar um ponto por laçada ao construir a cunha. Uma aba curta demais deixa a meia apertada sobre o peito do pé; comprida demais, ela fica folgada. Uma aba quadrada (tão alta quanto larga) é o ponto de partida habitual; um peito do pé alto pode precisar de algumas carreiras a mais.
Sinta a espessura extra
Sinta a espessura extra
Dobre a aba do calcanhar ao meio e aperte-a entre os dedos. Compare a espessura com a do cano em ponto jersey. A aba é visivelmente mais grossa e mais densa. Os pontos deslizados franzem o tecido e os fios flutuantes acrescentam uma camada de fio no avesso. É por isso que o calcanhar de pontos deslizados dura mais do que um calcanhar liso em ponto jersey. Algumas tricoteiras também levam um fio fino de reforço (geralmente de náilon) junto com a lã para mais durabilidade: o fio absorve parte do atrito enquanto a lã dá acolchoamento e calor.
Vire o calcanhar com carreiras encurtadas
Vire o calcanhar com carreiras encurtadas
A aba do calcanhar é plana: precisa ser moldada numa concha que envolva a parte de baixo do calcanhar. Isso é feito com carreiras encurtadas: você tricota parte da carreira, vira e volta, acrescentando a cada vez mais um ponto das bordas. Para um calcanhar de 32 pontos: tricote 18 em meia, SSK (deslize, deslize, tricote — uma diminuição inclinada para a esquerda), tricote 1, vire. Deslize 1, tricote 5 em tricô, 2 pontos juntos em tricô, 1 em tricô, vire. Deslize 1, tricote em meia até 1 ponto antes do vão, SSK sobre o vão, tricote 1, vire. Continue até todos os pontos das bordas terem sido consumidos. Agora você tem um calcanhar em forma de concha com cerca de 18-20 pontos na agulha.
Levante os pontos da cunha
Levante os pontos da cunha
Com o direito do calcanhar virado para você, levante e tricote um ponto em cada laçada da ourela de correntinha ao longo da lateral da aba: 16 pontos de 16 laçadas. Tricote os pontos do peito do pé que estavam em espera. Levante 16 pontos ao longo da outra lateral da aba. Agora você tem mais pontos do que no início: os pontos a mais formam uma cunha triangular de cada lado do pé. Nas voltas seguintes, diminua os pontos da cunha a cada duas voltas — 2 pontos juntos em meia no fim da primeira cunha (logo antes do peito do pé) e SSK no início da segunda cunha (logo depois do peito do pé) — até voltar ao número original de pontos.
Continue o pé
Continue o pé
Terminadas as diminuições da cunha, você volta a tricotar um tubo liso em circular: o pé da meia. Tricote todas as voltas em ponto jersey até a meia chegar à base dos dedos (para uma ponta em cunha de adulto, muitas vezes cerca de 5 cm a menos que o comprimento total do pé — confira a ponta que você pretende tricotar). O calcanhar ficou para trás: uma concha reforçada e mais grossa bem no ponto de maior desgaste. O resto do pé é ponto jersey liso porque a sola, embora suporte peso, não sofre o atrito concentrado que o calcanhar sofre dentro do sapato.
Use os pontos deslizados além das meias
Use os pontos deslizados além das meias
O padrão de reforço com pontos deslizados não se limita aos calcanhares de meias. Use-o onde precisar de um tecido resistente: solas de pantufas de tricô, palmas de luvas sem dedos, cotovelos de suéteres ou o fundo de bolsas de tricô. Algumas tricoteiras fazem a sola inteira de uma pantufa em pontos deslizados para aguentar ao máximo o chão. O padrão também dá um tecido que estica menos — útil para alças de bolsa, tiras e qualquer peça que precise manter a forma sob tensão. A técnica de pontos deslizados produz um tecido mais denso e mais resistente com o mesmo fio.
Entenda por que esse saber importa
Entenda por que esse saber importa
O calcanhar de pontos deslizados é um exemplo de engenharia prática aperfeiçoada por gerações de tricoteiras de meias. Ele está registrado em receitas de meias, mas o jeito de fazer — quão firmes deixar os fios flutuantes, que comprimento dar à aba, onde uma meia vai se gastar primeiro — foi aprendido sobretudo observando e fazendo. Esse tipo de saber prático se perde facilmente quando quem o domina para de ensiná-lo. Registrá-lo passo a passo, com as razões de cada passo, mantém o método e o raciocínio ao alcance do próximo maker.
Materiais
2- 1 peçaReferência
- 1 conjuntoReferência
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